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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Agricultura familiar cresce e movimenta pequenos municípios


A agricultura familiar é responsável hoje por 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros. Mais da metade da produção de leite e feijão sai dos pastos e lavouras administrados por famílias. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi ao campo conferir esta nova face da produção agropecuária brasileira. O Censo Agropecuário de 2006 registrou 4,3 milhões de estabelecimentos de produção familiar, o que representa apenas 24,3% de toda a área destinada à produção. Mas nestes espaços, segundo o IBGE, os agricultores familiares revelaram a importância de sua produção para a cesta básica do brasileiro.

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch, a agricultura familiar tem o mérito de movimentar a economia nos pequenos municípios. “Esta é a diferença entre a agricultura familiar e o agronegócio. Às vezes, o patrão mora em São Paulo, compra o maquinário no Mato Grosso e não gera desenvolvimento onde mantém sua plantação. Já o agricultor familiar compra no município onde vive tudo que precisa.”

Os dados mais recentes apontam que a agricultura familiar responde por 87% da produção nacional de mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café e 34% do arroz. Na pecuária, 58% do leite, 50% das aves e 30% dos bovinos consumidos pelos brasileiros saem da produção familiar. Toda a produção da agricultura familiar é feita em 17,7 milhões de hectares de lavouras e 36,4 milhões de hectares de pastagens.


O Censo Agropecuário do IBGE também registrou a participação de 12,3 milhões de brasileiros na agricultura familiar, o que representa 74,4% da força de trabalho no campo. Do total, as mulheres representam um terço dos trabalhadores da agricultura familiar, somando 41 milhões de pessoas. E elas estão no comando de 13,7% dos estabelecimentos familiares. Na agricultura não familiar, esta participação não alcança 7%.

Outro dado é que 3,2 milhões de agricultores familiares são donos do seu próprio negócio. Outros 170 mil produtores se declararam na condição de “assentado sem titulação definitiva”, enquanto 691 mil produtores disseram que possuem acesso temporário ou precário às terras, seja como arrendatários (196 mil), parceiros (126 mil) ou ocupantes (368 mil). Cerca de 3,9 milhões de estabelecimentos familiares declararam algum valor de produção, cujo total atingiu R$ 143,8 bilhões em 2006, o que corresponde a 38% do total.

Mas, se a agricultura familiar hoje tem esta força, foi porque os investimentos subiram expressivamente. Os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) passaram de R$ 3,4 bilhões em 2000/2001 para R$ 15 bilhões em 2009/2010. O dinheiro é usado para financiar a safra dos agricultores. Uma outra linha de crédito oferecida pelo governo permitiu a modernização do campo. O Mais Alimentos oferece até R$ 100 mil que podem ser pagos em até dez anos, com carência de até três anos e juros de 2% ao ano. Com o dinheiro, o produtor pode adquirir máquinas e equipamentos, como tratores e motocultivadores.

Foto: Eduardo Aigner/MDA.

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